A volta à normalidade!


Subsídios para pensar e repensar o contemporâneo por Francisco B. Goulart

Sempre que a realidade do dia a dia sofre algum abalo, alguma interferência que impede o seu funcionamento habitual, emerge um desejo social pela vota à normalidade.

O que vem a ser a volta à normalidade? O que significa normalidade?

Normalidade nos remete a normal, que, por sua vez, remete a norma. Comecemos as reflexões pelo conceito de norma.

Norma se vincula ao que é permitido e aceito socialmente. O que é aceito e permitido pela sociedade pode ser concebido por duas vias, a da legalidade e a da realidade. Legal e real são dois conceitos interligados mas que possuem significados distintos. Iniciaremos pela via do legal.

Legal diz respeito a procedimentos, condutas que possuem força de lei, ou seja, faz parte do sistema jurídico de um país. Tem na Constituição a sua expressão máxima. As sociedades, em geral, tendem a supervalorizar as leis. É como se elas fossem necessariamente justas, coerentes e infalíveis. O conceito de justiça está vinculado a ideia de que as leis funcionam igualitariamente para todos, que agem de forma imparcial. O princípio que está presente e confere legitimidade às leis, é o mesmo que norteia o funcionamento do regime democrático: a força da maioria. Afirma-se que a maioria sempre tem razão, sempre está com a verdade e que a minoria, por sua vez, é fraca e por isso deve ser desconsiderada.

Mas o que é uma maioria? Qual a base de sua formação? Como surge, emerge e funciona uma maioria? Sugerimos que o tema seja fonte de amplo debate coletivo.

Voltando a questão das leis, é fato que elas sempre surgem de acordo com um determinado contexto da realidade. O contexto atual é fortemente dominado pelo do consumismo associado ao egoísmo e a competição. Significa que as atividades sóciopolítico-econômicas e culturais são dominadas pelos hábitos de consumo. O consumo é a lei maior.

No consumismo, a energia libidinal do prazer (potência) das pessoas é manipulada e guiada pelo princípio da falta. Sempre está faltando alguma coisa que pode ser suprida por “alguém”.

Logo, as leis não impediram a extração infinita dos recursos finitos do planeta; a poluição e degradação do meio ambiente e do ecossistema; as relações de trabalho em situações ameaçadoras à saúde do trabalhador; a fome, a falta de saneamento básico e o fornecimento de água potável para uma grande parcela da população do mundo e assim por diante.

As leis são importantes e necessárias, mas não podemos perder de vista que elas estão vinculadas a determinados interesses. As leis podem ser elaboradas e aplicadas de acordo com a realidade em constante mutação.

Passemos para a segunda via que rege o que é aceito e permitido pela sociedade: a real, a realidade.

A realidade é o real. A realidade é constituída por pessoas e acontecimentos. O real é virtual e atual. O real é legal e ilegal ao mesmo tempo. Logo, a realidade é:


nascimento / aborto bebidas alcoólicas / drogas ilícitas comércio de bebidas / narcotráfico força policial / força miliciana caixa oficial / caixa 2 comércio oficial / contrabando salário / propina-suborno monogamia / relações extraconjugais imposto / sonegação jogo das loterias / jogo do bicho …


A sociedade aceita e permite viver as normas em sua forma legal e ilegal, oficial e extraoficial.

Qual a origem do legal/ilegal?

O paradoxo. A realidade é paradoxal em si mesma. Se alguém deseja viver a realidade em sua autenticidade constitutiva precisa conectar-se com a força, a potência do paradoxo, do imprevisível. Por isso a vida é trágica (tensão). O trágico é a força caótica criativa responsável pelo novo, pelo nascimento daquilo que nunca existiu. A tragédia permite pensar o impensável, dizer o indizível, sentir o insensível, tornar possível o impossível e assim por diante. Mas a sociedade contemporânea, mergulhada e dominada pelo consumismo, egoísmo e competição, está longe de aceitar e permitir viver o paradoxo. Prefere deixar-se viver por influência da chamada “linha de fuga”, conceito proposto pelo filósofo Gilles Deleuze (1925 – 1995), ou seja, prefere viver duas realidades distintas: uma legal, assumida abertamente e outra ilegal, assumida clandestinamente. Em tempos de volta à normalidade, fica a seguinte pergunta:

Qual a normalidade que queremos viver?

Francisco é professor de História e Facilitador de Biodanza. ColatinaES, abril de 2020.

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